sábado, 14 de março de 2020

Tribunal português arresta todos os bens de Isabel dos Santos no país

março 13, 2020
  • AnaNgolaInfos
Isabel dos Santos e marido, Sindika Dokolo
Isabel dos Santos e marido, Sindika Dokolo
O juiz Carlos Alexandre, do Tribunal Central de de Instrução Criminal, em Lisboa, determinou o arresto de todos os bens da empresária Isabel dos Santos em Portugal, no âmbito do processo que corre em Angola.
A notícia é avançada pelo Jornal “i” nesta sexta-feira, 13, e foi tomada no cumprimento de um acórdão do Tribunal da Relação de Lisboa, proferido no passado dia 5.
O arresto agora ordenado pelo Tribunal Central de Instrução Criminal visa todo o património da filha de José Eduardo dos Santos em Portugal, como casas, contas bancárias e empresas.
O pedido tinha sido feito na carta rogatória enviada a Lisboa por Helder Pitta Grós, Procurador-Geral da República de Angola.
As autoridades angolanas pretendem recuperar mais de mil e 100 milhões de dólares em dívidas contraídas por Isabel dos Santos ao Estado.
Antes, o juiz João Bártolo, decidiu pelo congelamento dos bens, considerando que, segundo ele, seria suficiente para acautelar os interesses de Luanda, mas agora o Tribunal Central de Instrução Criminal teve outro entendimento.
Arresto em Luanda
Recorde-se que a 30 de Dezembro de 2019, o Tribunal Provincial de Luanda ordenou o congelamento, em Angola, de todas as contas e bens de Isabel dos Santos, do seu marido Sindika Dokolo, bem como do presidente do Banco de Fomento de Angola, Mário Leite da Silva.
O tribunal disse que “ficou provada a existência de um crédito para com o Estado” de mais de mil e 100 milhões de dólares e em que na sequência desses negócios o Estado transferiu por via das empresas Sodiam e Sonangol “enormes quantias em moeda estrangeira... sem que houvesse o retorno convencionado”.
A empresária Isabel dos Santos negou sempre a acusação e afirmou que o processo teve motivações políticas e padece “de evidentes falsidades, imprecisões e omissões”.

domingo, 1 de março de 2020

Bento dos Santos Kangamba, está na cadeia.








JUSTIÇA

Kangamba transferido para Hospital Prisão do São Paulo



Bento dos Santos “Kangamba” passou a noite de sábado (29) como preso preventivo no Hospital Prisão do São Paulo.
As autoridades angolanas enviaram na noite de sábado (29), uma aeronave a província do Cunene, a fim de trazer à Luanda, o general na reforma Bento dos Santos “Kangamba” que fora detido na manha deste mesmo dia na localidade do Xangongo. Em Luanda, o também Presidente do Kabuscorp foi levado ao Hospital Prisão do São Paulo, para ai pernoitar e será ouvido na próxima segunda-feira (2) pelo DNIAP   por suposta burla por defraudação.
Segundo o portal club-k, na passada sexta-feira, os advogados de Bento Kangamba receberam uma notificação para o mesmo ser ouvido na PGR no próximo dia 5 de Março e ser comunicado da sua condição de arguido num processo movido por uma empresaria Teresa Gerardin devido ao incumprimento de uma divida contraída de 15 milhões de euros contraída em 2017. O general pagou 12 milhões de forma faseada faltando 3 milhões de euros. O atraso da última tranche levou com que a Teresa Gerardin recorresse pela intervenção da justiça.
Na quinta-feira (27) de tarde, o general Bento “Kangamba” deslocou-se ao sul de Angola, por estrada, com dois dos seus escoltas e um homem de campo para tratar de alegados negócios tendo passado pela Gabela, e Lobito. Na noite de sexta-feira (28) para sábado (29) pernoitou na zona do Xangongo, ficando hospedado no Hotel “Aguia Azul”.
Passou todo a manha na região do Xangongo e havia acertado programado percorrer 280 km por estrada até ao Lubango, província da Huíla com um homem de campo, enquanto isso, os guardas ficariam no hotel aguardando pelo seu regresso. Por volta das 12h, o general e o seu colaborador saiam do hotel com destino ao Lubango, e foram interpelados por oficiais do Serviço de Investigação Criminal (SIC) que mandaram parar a viatura em que se faziam seguir.
Os oficiais do SIC abriram-lhe a porta e convidaram lhe a sair da viatura tendo um deles se dirigido ao general com as algemas para o prender. Kangamba que trajava um calção azul e camisola vermelha, questionou sobre as razões que estariam a prende-lo questionando pelo mandado de detenção. Um dos agentes do SIC, respondeu que não traziam “mandado” algum e que tratava se de “ordens superiores”.
No seguimento do impasse entre as partes sobre a existência de “ordem de detenção”, os agentes do SIC telefonaram para a cadeia de comando em Luanda informando que Bento Kangamba estaria a questionar sobre a existência de algum “mandando de detenção”, já que tinha conhecimento que recebera – por via dos seus advogados no dia anterior – uma notificação para ir prestar declarações à PGR no próximo dia 5 de março.
Ao receberem o telefonema, a “cadeia de comando” em Luanda, pediu que aguardassem, tendo em conta que era sábado, dia de folga, os oficiais em serviço, na capital do país telefonaram ao Procurador Vanderley Bento Mateus para saber sobre o seu paradeiro, e este fora solicitado a escrever um “mandado de detenção” que serviu para legalizar a prisão do mesmo, razão pela qual houve atraso. Por volta das 14h, o “mandado de detenção” foi enviado aos oficiais do SIC, em Luanda.
No momento da detenção, os agentes do SIC confiscaram-no um telefone celular da marca “nokia”, a arma pertencente ao escolta que estava no hotel, mais uma quantia de 900 mil kwanzas (equivalente a USD 1800), e cerca de 10 mil rands sul africano (USD 640

sábado, 29 de fevereiro de 2020

General Bento Kangamba detido para prestar declarações a 8 de Março 2020

General Bento Kangamba detido para prestar declarações a 8 de Março 2020

África Austral – A Direção Nacional de Investigação e Ação Pena (DNIAP) notificou nesta sexta-feira (28), o empresário angolano Bento dos Santos "Kamgamba" para comparecer nos próximo dia 8 de Março nas suas instalações em Luanda a fim de prestar esclarecimento a volto do processo que em finais de Outubro resultou no arresto de um dos seus imóveis num condomínio privado em Luanda, designado por lotes G1, e G4, em área de 674 m2.
Fonte: AnaNgolaInfos
Interpelado na zona do Xangongo ao regressar da Namíbia 
Até pouco tempo, o empresário se encontrava incontestável fora de Angola, concretamente na vizinha Namíbia tendo falhado a uma anterior notificação. Na semana finda (sexta-feira) os seus advogados deslocaram se ao DNIAP na qual receberam uma  nova e  retificada  notificação para que Bento dos Santos  fosse prestar declarações na segunda semana de Março.

Segundo apurou o Club-K, o general na reforma já se encontra no interior de Angola. Tendo  em conta ao facto de não gostar andar de avião o general teria viajado a Namíbia de carro, porém, foi no seu regresso que na manha deste sábado foi interpelado por agentes do SIC  na  zona do Xagongo que o comunicaram sobre a existência de um mandado de detenção emitido neste dia 29 de Fevereiro.  notificação assinado pelo Sub-Procurador  Wanderley Bento Mateus. 
Durante a detenção foram aprendidos uma pistola do seu guarda, valores em kwanzas e em rands, por contabilizar.

De 54 anos de idade, Bento dos Santos é um dos oficias das extintas FAPLA que entraram para a luta arma como “crianças soldados” e integrantes de unidades de reconhecimento. Esteve em Cuba, e no regresso a Angola trabalhou na área de logística das forças armadas. Ao entrar para a reforma transferiu-se para a vida partidária sendo membro do Comitê Central do MPLA. Também dirige um clube de futebol em homenagem ao bairro palanca, onde desde a década de 90 passou a gozar de popularidade.

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

Nós Espalhamos O Vírus Do HIV Para Matar Negros Na África”

Nós Espalhamos O Vírus Do HIV Para Matar Negros Na África” Afirma Mercenário
Notícias do Mundo by Douglas Aleodin - 29 de maio de 1969

AnaNgolaInfos 28.02.2020

Este maldito homem é que fez hoje o nosso continente estar assim com a doença da Hiv/Sida.
Mercenários  posaram como médicos para infectar negros sul-africanos com HIV para “dizimar” a raça negra e criar uma maioria branca na África do Sul, de acordo com uma chocante confissão de um ex-oficial mercenário.

A África do Sul tem agora uma das piores epidemias de HIV no mundo, com 7,1 milhões de pessoas, ou pouco menos de 19% da população, vivendo com o vírus. A população negra na África do Sul foi desproporcionalmente afetada.



As alegações de que os mercenários brancos estavam ativamente espalhando a AIDS na África do Sul nos anos 80 e 90 foram feitas no documentário Cold Case Hammarskjöld, que estreou este ano no festival de cinema de Sundance.

As alegações são feitas por Alexander Jones, que passou anos como um oficial de inteligência do Instituto Sul-Africano de Pesquisa Marítima (SAIMR), três décadas atrás, quando estava planejando golpes e outras formas de violência em toda a África.

Jones afirma que Keith Maxwell, líder do SAIMR, tinha uma “obsessão racista e apocalíptica pelo HIV / Aids” e o grupo estava empenhado em criar uma maioria branca na África do Sul e nos países vizinhos, eliminando a raça negra.

Keith Maxwell supostamente se apresentava como médico enquanto administrava clínicas em bairros pobres, principalmente negros, na área de Johanesburgo, o que lhe dava um caminho para conduzir seus experimentos assassinos.

“Que maneira mais fácil de obter uma cobaia do que [quando] você vive em um sistema de apartheid?”, Diz Jones no filme.



“Os negros não têm direitos, precisam de tratamento médico. Há um “filantropo” branco entrando e dizendo: “Você sabe, eu vou abrir essas clínicas e vou tratar você.” E enquanto isso [ele é] na verdade o lobo em roupas de ovelha. ”

Keith Maxwell escreveu sobre uma “praga” que ele esperava que dizimaria populações negras, consolidaria o domínio branco e traria de volta tradições religiosas conservadoras, de acordo com artigos coletados pelos cineastas.

O site The Guardian relata (ver aqui): “Um cartaz publicitário do Dokotela [médico] Maxwell ainda está pendurado na lateral de um escritório em Putfontein, onde os moradores locais se lembram de um homem respeitado, com um monopólio virtual dos serviços de saúde da região. Ele ofereceu tratamentos estranhos, inclusive colocando os pacientes através de tubos, o que ele disse que permitiu que ele visse dentro de seus corpos. Ele também deu falsas injeções, disse Ibrahim Karolia, que administrava uma loja do outro lado da rua.”

Qualquer interesse que Maxwell demonstrasse em Aids em público era benevolente. Claude Newbury, um médico antiaborto que conhecia o líder mercenário, confirmou que não tinha qualificações médicas, mas descreveu um humanitário comprometido. “Ele era contra o genocídio e estava tentando descobrir uma cura para o HIV”, disse Newbury aos cineastas.



Documentos coletados pelos cineastas parecem mostrar que as visões particulares de Maxwell eram muito diferentes de sua persona pública. Os documentos sugerem um prazer macabro no advento de uma epidemia.

Em uma delas ele escreve: “[A África do Sul] pode muito bem ter  um voto com uma maioria branca até o ano 2000. A religião em sua forma conservadora e tradicional retornará. Aborto, abuso de drogas e outros excessos dos anos 60, 70 e 80 não terão lugar no mundo pós-Aids ”.

Os jornais liam como o sonho febril de um homem que aspirava ser Josef Mengele da África do Sul. Há relatos detalhados, ainda que confusos, de como ele achava que o vírus do HIV poderia ser isolado, propagado e usado para atacar negros africanos.

O que é menos claro é se ele tinha a experiência ou fundos para implementar suas visões de pesadelo. Jones, o antigo membro da SAIMR, afirma que sim.

“Nós estávamos envolvidos em Moçambique, espalhando o vírus da Aids através de condições médicas”, diz ele.

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2020


PRA-JA avança com novos processos ao TC, para legalização do Partido.

 O processo para constituição do Partido do Renascimento Angolano - Juntos por Angola (PRA-JA), coordenado pelo político Abel Chivukuvuku, segue sexta-feira para o Tribunal Constitucional (TC), após cumprimento das recomendações daquele tribunal superior.

O Partido do Renascimento Angolano - Juntos por Angola (PRA-JA) deu entrada do processo pela primeira vez, para registo no TC, em Agosto de 2019, tendo sido rejeitado mais de 19 mil processos, dos quase 24 mil remetidos.

No quadro do processo de formalização da nova força política, a comissão instaladora do PRA – JA procedeu hoje, em Luanda, a abertura do que se convencionou chamar “auditoria pública” para apresentar à sociedade as novas quatro mil e 150 assinaturas reconhecidas pelos cartórios notariados, espelhados pelo país.

Em declarações à imprensa, o porta-voz do PRA-JA, Xavier Jaime, afirmou que supriram as insuficiências registadas pelo Tribunal Constitucional e espera que o projecto se torne partido dentro de quarenta dias, após a entrega do processo.

“Vamos levar cerca de nove mil assinaturas com uma novidade importante: metade destas nove mil assinaturas, estão, devidamente reconhecidas pelo notário, sobretudo, daquelas províncias em que o despacho do TC afirmava que não alcançaram as 150 (assinaturas) que a lei exige”, disse.

Embora a lei exige apenas assinaturas dos integrantes do projecto político, Xavier Jaime justificou que preferiram reconhecer as assinaturas no cartório notarial para facilitar o processo de transparência.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020


China conclui em 10 dias hospital para tratar vítimas de coronavírus

Hospital começa a operar amanhã e foi projetado para ter 1.000 leitos para tratamento isolado e eficiente dos pacientes com pneumonia viral

  • AnaNgolaInfos  
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Um total de 1.400 equipes médicas das forças armadas estão encarregadas de tratar pacientes no Hospital Huoshenshan a partir de segunda-feira

Um total de 1.400 equipes médicas das forças armadas estão encarregadas de tratar pacientes no Hospital Huoshenshan a partir de segunda-feira

Xinhua
Foi concluída neste domingo (2) a construção do Hospital Huoshenshan, um dos dois hospitais de emergência construídos para lidar com o surto do novo coronavírus (2019-nCoV) na cidade de Wuhan, epicentro do surto epidêmico na China.
Localizado perto do Sanatório dos Trabalhadores de Wuhan, no distrito de Caidian, nos subúrbios ocidentais da cidade, o hospital foi projetado para ter 1.000 leitos para tratamento isolado e eficiente dos pacientes com pneumonia viral.E os Angolanos que estão chorar, o Governo de Angola ainda esta dormir.
A construção começou em 24 de janeiro e o local será colocado em operação na segunda-feira. De acordo com a agência governamental de notícias Xinhua, um total de 1.400 equipes médicas das forças armadas estão encarregadas de tratar pacientes no Hospital Huoshenshan a partir de segunda-feira.
O hospital seguiu o modelo do Xiaotangshan, em Pequim. No auge do surto epidêmico de SARS em 2003, o Hospital Xiaotangshan foi construído em sete dias e admitiu um sétimo dos pacientes com SARS no país em dois meses, criando um milagre na história da medicina. O outro dos dois hospitais em construção na cidade é o Hospital Leishenshan.

Presidente angolano garante: "Não se vai negociar" com Isabel dos Santos





Segunda, 03 Fevereiro 2020 09:34

Presidente angolano garante: "Não se vai negociar" com Isabel dos Santos

    AnaNgolaInfos 3.02.2020
Presidente angolano garante: "Não se vai negociar" com Isabel dos Santos
Em entrevista exclusiva à DW, o Presidente de Angola fala oficialmente pela primeira vez sobre o "Luanda Leaks". João Lourenço assegura que não se está nem se vai negociar processos nos quais Isabel dos Santos é acusada.
O Governo de Angola não está e nem vai negociar com a empresária Isabel dos Santos os alegados casos de corrupção dos quais é acusada no país. A afirmação é do Presidente João Lourenço, que falou pela primeira vez sobre o "Luanda Leaks" numa entrevista exclusiva ao enviado especial da DW a Luanda, Adrian Kriesch.
João Lourenço lembrou ainda a imunidade do ex-Presidente José Eduardo dos Santos e do ex-vice-presidente Manuel Vicente para justificar o facto de ambos não estarem a sentir o peso da Justiça angolana, mas garantiu a imparcialidade e independência dos órgãos de Justiça em Angola.
Quanto às reformas no Estado angolano, que incluem o combate à corrupção, o Presidente João Lourenço afirmou: "Somos nós, do partido que sempre governou o país, que estamos a fazer as reformas que eram absolutamente necessárias que fossem feitas".
DW África: Há algumas semanas, uma investigação global revelou um esquema através do qual centenas de milhões de dólares [de recursos do Governo] foram canalizados para empresas privadas, possivelmente por causa de conexões. Uma das principais suspeitas é Isabel dos Santos, filha do ex-Presidente. Agora há rumores de que ela está a negociar um acordo para devolver parte do dinheiro. Essas negociações estão a acontecer?
João Lourenço (JLo): Essas informações são infundadas. Nós gostaríamos de deixar aqui garantias muito claras de que não se está a negociar. Mais do que isso, não se vai negociar, na medida em que houve tempo, houve oportunidade de o fazer. Portanto, as pessoas envolvidas neste tipo de atos de corrupção tiveram seis meses de período de graça para devolverem os recursos que indevidamente retiraram do país. Quem não aproveitou esta oportunidade, todas as consequências que puderem advir daí são apenas da sua inteira responsabilidade. Esse período de graça terminou em dezembro de 2018. Estamos hoje em fevereiro de 2020. Portanto, pensamos ser bastante extemporânea a possibilidade de negociação. Para além de que, processos que estão em tribunal não são negociáveis fora do tribunal.
DW África: Os documentos divulgados foram bastante claros. O senhor quer ver Isabel dos Santos atrás das grades?
JLo: Eu prefiro nem responder a isso. É uma decisão da Justiça. Eu não sou juiz.
DW África: Isabel dos Santos disse considerar um regresso a Angola para concorrer à Presidência. O que é que acha disto?JLo: Nas próximas eleições, que ainda estão bastante distantes, nenhum candidato está no direito de escolher os seus adversários. Portanto, que apareçam os adversários que aparecerem. Não conheço mais ninguém que, nesta altura, dois anos antes, se tenha apresentado já como candidato. Porque, de facto, não é normal. Mas cada um é livre de expressar os seus desejos e as suas ambições.
DW África: Muitos dos documentos indicam que aquilo que aconteceu foi com o conhecimento, ou por vezes até ordem, do ex-Presidente. Por exemplo, decretos presidenciais para dar terras subvalorizadas a empresas de Isabel dos Santos. Porque não se investiga o ex-Presidente?
JLo: Tem de conhecer a nossa legislação.
DW África: O que quer dizer com isso?
JLo: Os antigos Presidentes gozam de imunidade durante pelo menos cinco anos.
DW África: Consideraria investigá-lo depois disso?
JLo: Quem abre os processos crime na Justiça não são os políticos. É a própria Justiça quem vai atrás de possíveis crimes. Portanto, todos aqueles que estão a contas com a Justiça que não pensem que é o poder político quem os empurrou para a Justiça. Os políticos têm a missão de traçar políticas que deixem aos órgãos de Justiça as mãos livres para poderem atuar dentro das suas competências. Portanto, não se pode pensar que é o Presidente da República quem mandou para tribunal A, B ou C. Nem teria tempo para isso. São muitos casos no país. Todos os dias, a Justiça, os tribunais aqui em Luanda, nas províncias, julgam e em alguns casos condenam casos de corrupção.
DW África: Mas alguns membros da oposição dizem que o sistema de Justiça não é tão independente como está a dizer. Dizem que é muito controlado pelo Governo. Qual é a sua resposta a isto?
JLo: Talvez fosse assim no passado. Hoje não. Hoje eles têm absoluta liberdade. Só isso justifica o facto de estar a haver "n” casos de julgamentos diversos, e particularmente nesta matéria da luta contra a corrupção. Se a Justiça fosse conduzida pelo poder político, o lógico seria o poder político proteger os seus. Proteger ministros e outras figuras com grandes responsabilidades na sociedade e no Governo em particular. Portanto, esta é a lógica. O que está a acontecer é precisamente o contrário, o que significa dizer que a Justiça tem as mão livres para atuar.
DW África: Ainda assim, pessoas como Isabel dos Santos dizem que é uma "caça às bruxas" por ganhos políticos. É o que a empresária afirma. Foi o que ela também disse e algumas pessoas com quem conversei aqui em Angola também têm a sensação de que alguns poderosos permanecem intocáveis. Um exemplo: o ex-vice-Presidente Manuel Vicente, acusado de pagar quase um milhão de euros de suborno a um procurador português. O senhor pessoalmente pressionou para que esse caso fosse transferido de Portugal para Angola, onde nada aconteceu desde então. Agora Manuel Vicente é basicamente seu conselheiro...
JLo: Ninguém pode dizer "eu não posso ser ouvido, ser constituído arguido, porque o meu vizinho também não foi." A Justiça não funciona assim. E se quer falar no caso Manuel Vicente, o que aconteceu é que nós pedimos, de facto, que o processo fosse transferido para Angola, e foi. E isso não significa absolvição. O caso está a ser tratado pela PGR, que há dias veio a público defender que quer o ex-Presidente da República, quer o ex-vice-presidente da República gozam de imunidade durante os primeiros cinco anos [após o mandado]. Daí o facto de eu ter dito há bocado que convém procurar conhecer um pouco a legislação angolana.
DW África: Talvez não tenha tentado, mas está a aconselhá-lo..
JLo: É falso. Eu não tenho esse senhor como meu conselheiro. Os meus conselheiros são conhecidos. Alguém acordou bem disposto e inventou isto. (...) Ele não é meu conselheiro para área nenhuma. O que se diz é que é meu conselheiro para o setor dos petróleos, mas isso é absolutamente falso. Não trabalha para mim, nem de forma remunerada, nem de forma gratuita. E há formas de se checar isso. Portanto, quem quiser checar tem a liberdade de o fazer. E há-de chegar à conclusão de que quem está a dizer a verdade sou eu. Aqueles que não queriam que o processo fosse transferido de Portugal para Angola é que inventaram esta mentira. Há quem não tivesse gostado da posição firme que Angola tomou no sentido de solicitar a transferência de Portugal para Angola. Mas, repito, a simples transferência de um processo de um país para o outro não constitui absolvição. Quem absolve são os tribunais. E que dizem se a pessoas cometeram crimes ou não cometeram crimes.
DW África: O senhor foi secretário-geral e ministro da Defesa também. Conheceu o ex-Presidente e trabalhou com ele durante um bom tempo. Porque não fez essas críticas durante aquele período?
JLo: Não, de facto eu trabalhei debaixo da orientação do Presidente José Eduardo dos Santos. Todos nós trabalhamos. Um Presidente que ficou quase 40 anos no poder. Ninguém pode dizer que não fazia parte do sistema. Todos nós fizemos parte do sistema. Mas quem está em melhores condições de corrigir o que está mal e melhorar o que está bem são precisamente aqueles que conhecem o sistema por dentro. Isso foi assim em todas as revoluções, se assim quisermos chamar.
Quem fez as grandes mudanças não são pessoas de fora, são as que conhecem o sistema. Quem fez as reformas na Rússia foram os russos; quem fez as reformas na China foram os chineses. Quem fez as reformas em todos os países da antiga Europa do leste foram os povos e políticos desses países. Os de fora começam por conhecer mal a realidade dos países e dos povos. Isso é assim em todo o mundo, quem fez a Revolução dos Cravos em Portugal foram os portugueses e aqueles que eram do regime de Marcelo Caetano.
É evidente que as oposições gostariam muito que fossem elas a fazer essas grandes reformas e transformações na sociedade, mas, no caso de Angola, não é assim que está a acontecer. Somos nós, do partido que sempre governou o país, que estamos a fazer as reformas que eram absolutamente necessárias que fossem feitas.
DW África: Disse que faz parte do sistema há muito tempo. Então, deve ter percebido que é um sistema bastante corrupto e é isso que os documentos [do "Luanda Leaks"] mostram.
JLo: Mas é precisamente pelo facto de eu ter assistido ao longo desses anos a esses níveis de corrupção, e por não concordar que a situação continuasse, é que hoje estamos a combater aquilo que vimos ao longo de décadas. Talvez fosse cómodo para nós deixar que a coisa continuasse como era antes. Mas seria correto? Seria em benefício do povo? Hoje temos a oportunidade de mudar esse estado das coisas, pensamos que é o momento de fazê-lo, Sabemos que é preciso muita coragem. Encontramos alguma resistência. Preferimos lutar contra ela do que nos acomodarmos e deixar que as coisas continuem como antes.
DW África: Algumas pessoas nos meios de comunicação social já lhe deram as alcunha de "exterminador" devido à sua dura postura contra a corrupção. Gosta desta alcunha?
JLo: Não, não gosto. Eu não estou a fazer mais do que deve ser feito, e é preciso que fique claro que os louros do combate contra a corrupção não devem recair apenas sobre o Presidente da República. Não seria justo que assim fosse. Os louros devem recair sobre todas as pessoas e instituições que se encontram em posições, das mais variadas possíveis, e que contribuem para que a luta contra a corrupção tenha sucesso, que em muito curto espaço de tempo estamos a ver que começa a ter. Estou-me a referir também a pessoas e a instituições que, antes de 2017, de forma muito corajosa, apontaram o dedo a práticas muito nefastas que prejudicaram o nosso Estado e o nosso povo de forma significativa. E até algumas pessoas foram parar nà prisão. Estou a referir-me a grupo de ativistas, jornalistas e fazedores de opinião que, de forma muito corajosa, enfrentaram o poder naquela altura. E o reconhecimento da sociedade a essas pessoas e instituições já chegou. Não podemos condecorar todos, mas, em nome dos outros, condecoramos ao menos um - estou-me a referir a Rafael Marques. 


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Boa apetite

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